Motoqueiro Fantasma
Sinopse
Uma nova introdução do Motoqueiro Fantasma no Universo Marvel, em uma aventura que mescla poder, Céu, Inferno e um prisioneiro que quer se libertar.
Positivo/Negativo
A coleção Salvat / Panini com as melhores graphic novels da Marvel apresenta seu 15º volume com uma história na qual o polêmico roteirista irlandês Garth Ennis assume o título norte-americano do Motoqueiro Fantasma. Em sua companhia, está o ilustrador digital Clayton Crain.
No início desta
reintrodução, o leitor descobre que o Motoqueiro está preso no Inferno, de onde
tenta fugir, noite após noite, e nunca consegue. Afinal, esta é sua pena na
terra dos demônios. Esta HQ já havia sido publicada no Brasil na revista Marvel
Max, em capítulos.
Surgem, então, dois
anjos que desejam evitar que um mal maior aconteça com a Terra, já que um
poderoso demônio está para encarnar graças a um poderoso industrial. E tanto
Céu quanto Inferno lançam mão de criaturas para interromper este nascimento.
Como é de se esperar em
uma história de Ennis, os anjos recorrem ao Motoqueiro Fantasma para a missão.
E, para tanto, prometem conseguir a liberdade de Johnny Blaze.
A partir daí, tem-se
uma típica história de Garth Ennis. Céu e Inferno se confrontando, a humanidade
sendo joguete de ambos os lados em uma trama relativamente envolvente.
Relativamente porque a
história não empolga tanto. E não porque qualquer leitor acostumado às obras
anteriores de Ennis, seja no comando das histórias de John Constantine, seja
nas de sua maior criação, Preacher, percebe que ele está se contendo.
Claramente percebe-se a
mão invisível da Marvel freando o escritor. Ele está muito menos ácido,
mesmo atuando em um campo em que é mestre – a dicotomia Céu e Inferno –,
divertido, espalhafatoso e sanguinolento.
Existem, sim, momentos
de brilho, como o diálogo entre os anjos na Lua, onde a frase “devíamos ter
ficado com os dinossauros” é proferida, ou quando um dos anjos resolve “apagar”
uma mortal que os vê conversando no topo de um prédio.
Mesmo assim, é difícil
tirar da boca o gosto de obra (mal) requentada. Parece que Ennis estava com
preguiça.
Quanto à arte, Crain a
faz inteiramente no Photoshop. Há quem ame, há quem odeie. De qualquer
forma, é um desenho vistoso, que – principalmente nos momentos de brilho –
chama a atenção.
Porém, como toda arte
computadorizada, falta o dinamismo do desenho e, mesmo tentando colocar camadas
de blur no Photoshop, Crain não consegue dar o senso de movimento
que um traço mais orgânico teria.
A edição Salvat /
Panini é muito boa. Como as demais dessa coleção, é em capa dura e fica
bonita na estante, principalmente porque os volumes reunidos formarão um belo
painel.
Há poucos extras: um
prefácio de Marco Lupoi, diretor de publicações da Panini Itália, um
recordatório explicando ao leitor novato o que aconteceu
com o personagem até então, as capas das edições originais, um texto com a
trajetória editorial do Motoqueiro Fantasma e, por fim, uma biografia do
desenhista.
Não, não há a biografia
de Garth Ennis. Provavelmente, ela saia quando outro título do mesmo escritor, Justiceiro
– Bem-vindo de volta, Frank, chegar às lojas.
Mesmo não sendo um
título sensacional, vale a leitura, nem que seja apenas para não deixar um furo
na estante de quem optou por fazer a coleção.



0 comentários: